@misc{35768,
title = {Avaliação dos efeitos e impactos das inundações no Rio Grande do Sul},
author = {Suarez, Ginés and Bello, Omar and Campbell, Jack},
year = {2024},
doi = {10.18235/0013254},
abstract = {O Estado do Rio Grande do Sul, localizado no sul do Brasil, experimentou um evento extraordinário de chuvas e inundações entre o final de abril e maio de 2024. Essa região, caracterizada por sua vulnerabilidade a diversos perigos ambientais, foi afetada por um sistema de baixa pressão que trouxe chuvas intensas e persistentes. O evento se alinhou com a temporalidade histórica regional, que prevê os maiores volumes de precipitação durante o outono.
As precipitações excederam significativamente as médias históricas, com algumas áreas registrando até 300 mm de chuva em um único dia. Isso resultou na saturação do solo e no transbordamento de rios e córregos, causando inundações generalizadas tanto em áreas urbanas como rurais. Entre os principais rios afetados estão o Jacuí, Taquari, Caí e Guaíba, que atingiram níveis críticos e causaram inundações severas nas comunidades ribeirinhas.
O governo estadual, em coordenação com as autoridades municipais e federais, respondeu declarando estado de calamidade pública em 95 municípios e estado de emergência em outros 323. 

O desastre teve um impacto devastador na vida de milhares de pessoas, comprometendo seriamente a segurança, saúde e bem-estar da população afetada. A perda de infraestrutura essencial dificultou ainda mais os esforços de socorro e recuperação. De acordo com os boletins emitidos periodicamente pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, a população potencialmente afetada chega a 2.398.255 pessoas. O Laboratório de Inovação do IBGE, a partir de um cruzamento entre a mancha de inundação e a geolocalização da população de acordo com o Censo Demográfico 2022, contabiliza 876.565 pessoas diretamente afetadas.

Quanto à população afetada primária, registraram-se 183 óbitos (115 homens, 60 mulheres e 7 não identificados, dos quais pelo menos 55 são pessoas idosas e 13 crianças ou adolescentes), 27 desaparecidos e 806 feridos. O número de resgates realizados pelas autoridades públicas foi de 77.712, sendo que 581.638 pessoas ficaram desalojadas. Estabeleceram-se 980 abrigos em 117 municípios, geridos por autoridades públicas, pela sociedade civil organizada ou voluntários. Neles, foram atendidas 81.170 pessoas impedidas de retornar a suas casas, temporária ou permanentemente, e que não tinham alternativa de moradia.

As inundações do Rio Grande do Sul foram um evento catastrófico, provavelmente um dos mais caros da história do estado. O impacto global estimado é de aproximadamente R$ 88,9 bilhões. Dada a magnitude do desastre, a resposta envolveu a coordenação dos governos federal, estadual e municipal. Esta colaboração deve ser ainda mais profunda e sinérgica durante a reconstrução e na preparação e redução de riscos para eventos futuros, o que permitirá que as comunidades gaúchas se tornem mais resilientes.},
url = {https://doi.org/10.18235/0013254}
}
